
O Estoicismo ou Escola Estoica é uma doutrina filosófica fundamentada nas leis da natureza, que surgiu na Grécia no século IV antes de Cristo, durante o período denominado helenístico (séculos III e II antes de Cristo), que preza a fidelidade ao conhecimento e o foco em tudo aquilo que pode ser controlado pela própria pessoa, desprezando todos os tipos de sentimentos externos, como a paixão e os desejos extremos. Foi fundada pelo filósofo grego Zenon de Cítio (333-263 antes de Cristo) e vigorou durante séculos (até o século III depois de Cristo), tanto na Grécia, quanto em Roma. O termo “Estoicismo” surge da palavra grega “Stoá Poikilê”, que significa pórtico, locais de ensinamentos filosóficos. O seu tema central defendia que todo o universo seria governado por uma lei natural divina e racional. Sendo assim, para o ser humano alcançar a verdadeira felicidade, deveria depender apenas da sua “virtude”, ou seja, os seus conhecimentos e valores, abdicando totalmente do “vício”, considerado pelos estoicos um mal absoluto.
Uma corrente filosófica onde a “virtude” dependia da vontade subordinada à razão, sendo considerada a base para se atingir a felicidade: manter uma mente calma e racional, independente do que aconteça, ensinando que isso ajuda o ser humano a reconhecer e se concentrar naquilo que pode controlar e a não se preocupar e aceitar o que não pode controlar. O estoicismo busca fornecer orientações para encontrar uma vida virtuosa, serena e feliz, através do desenvolvimento do autocontrole, sabedoria e equanimidade diante das circunstâncias das vida. Os estoicos acreditam que todas as coisas no Universo são governadas por uma força racional chamada Logos (força racional, inteligência ordenadora ou princípio lógico que governa o Universo) e que os seres humanos têm a capacidade de viver em harmonia com a ordem natural. Para eles, os estoicos, a perfeição humana estava fundamentada na ideia de que os seres humanos estão ligados à natureza, devendo viver em equilíbrio com essa ordem natural. Assim, devem negar seus desejos para a realização de uma vontade guiada pela razão em conformidade com essa natureza.
Os estoicos têm como principais princípios de sua filosofia que a virtude é o único bem e caminho para a felicidade; que a pessoa deve sempre priorizar o conhecimento e o agir com a razão; que o prazer é um inimigo do sábio; que o universo é governado por uma razão universal natural e divina; que as atitudes têm mais valor que as palavras, ou seja, o que é feito tem mais importância do que é dito; que não se deve perguntar porque algo aconteceu na sua vida e sim aceitar sem reclamar, focando apenas no que pode ser modificado e controlado naquela situação; que deve agir prudentemente e assumir a responsabilidade sobre os seus atos; que tudo ao nosso redor acontece de acordo com uma lei de causa e efeito; que a vida e as circunstâncias não são idealizadas; que o indivíduo precisa conviver e aceitar a sua vida da forma que ela é. A partir desses princípios é possível entender que uma pessoa estoica é aquela que não se deixa levar por crenças, paixões e sentimentos capazes de tirar a racionalidade de uma pessoa na hora de agir, como desejos, dor, medo e prazer.
Nós Maçons sabemos que a Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, progressista e evolucionista. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria. Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Seus fins supremos são liberdade, igualdade e fraternidade. A fraternidade tem como fundamento a ideia de que todos os seres humanos foram criados pela mesma força que rege o universo. Assim, todas as pessoas são iguais, devendo tratar umas às outras com respeito e solidariedade. Em relação à liberdade, a Maçonaria defende que todas as pessoas, apesar das diferenças, devem conviver em uma sociedade baseada em respeito e solidariedade. Prega que o respeito à liberdade conduz a uma sociedade mais justa e igualitária, em que todas as pessoas devem desempenhar as mesmas obrigações e ter os mesmos direitos.
Outros valores defendidos pela Maçonaria são o aprimoramento moral e intelectual de seus membros, independente de credo, classe social, ideário político ou etnia. Os Maçons creem que todo homem é livre e possui bons costumes. Como já frisado, suas únicas exigências são que o Maçom possua um espírito filantrópico e de buscar sempre a perfeição, lapidando diariamente a sua Pedra Bruta. Podemos então afirmar, claro que com a parcimônia devida, que nós Maçons somos estoicos? Ou melhor, deveríamos ser estoicos? O mundo evoluiu e a Maçonaria também, esta porém sempre mantendo os seus Princípios basilares. Mas será que a Maçonaria moderna ainda resiste às mudanças inexoráveis da evolução mundana? Os verdadeiros Princípios Maçônicos foram esquecidos e substituídos por valores mundanos e descartáveis? A vaidade, o orgulho, o egoísmo, as paixões humanas conseguiram se sobrepor aos Princípios Maçônicos? Como qualquer instituição humana, as falhas existem e são por conta dos homens. Mas desde há mais de 2000 anos fomos ensinados que “não são os que gozam de saúde que precisam de médicos”. Todos nós somos falhos, cometemos e cometeremos erros, sem exceção, esta concedida apenas a Jesus, Aquele que representava e representa o equilíbrio pleno com Deus. Então meus irmãos, por mais difícil que seja, conclamo todos a perseverar, com todas as forças, em levantar templos à virtude e cavar masmorras aos vícios e vencer nossas paixões, submetendo nossa vontade e fazendo novos progressos na Maçonaria.
Uma notória personagem do século 20, nascida como Anjezë Gonxhe Bojaxhiu, em 26 de agosto de 1910, em Skopje, na atual Macedônia do Norte, em uma família católica de etnia albanesa, conhecida como Madre Teresa de Calcutá ou Santa Teresa de Calcutá, foi uma religiosa católica de etnia albanesa naturalizada indiana, fundadora da congregação das Missionárias da Caridade, cujo carisma é o serviço aos mais pobres dos pobres por meio da vivência do Evangelho de Jesus Cristo. Por seu serviço aos pobres, tornou-se conhecida ainda em vida pelo cognome de “Santa das Sarjetas“. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979 e é considerada por alguns como a missionária do século XX. Foi beatificada em 2003 pelo Papa João Paulo II e canonizada em 2016 pelo Papa Francisco. Desde a infância, foi profundamente influenciada pela fé e pelos valores de caridade. Aos 18 anos, em 1928, ingressou na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, na Irlanda, adotando o nome religioso Teresa em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus. Em 1931, fez seus primeiros votos de pobreza, castidade e obediência e foi enviada à Índia, onde começou a lecionar História e Geografia no Colégio de Santa Maria, em Calcutá. É de sua autoria a frase “Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode não ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja você que, no final das contas, é tudo entre VOCÊ e DEUS. Nunca foi entre você e os outros”.
O principal objetivo da Maçonaria é o homem transformar-se a si mesmo mediante a constante auto lapidação da sua Pedra Bruta para servir a sociedade como um instrumento de melhoria constante e evolução. Esse caminho é árduo, pois segue um trajeto difícil, pela “porta estreita”, como preconizam os ensinamentos do Ser que dividiu a humanidade há mais de 2000 anos convidando-nos à Reforma Íntima. Lutar contra o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a corrupção, a sensualidade, contra as paixões humanas que tanto prejudicam a humanidade. Esse o ponto principal, o objetivo de todo o verdadeiro Maçom. Meus queridos e amados irmãos, que no final de nossas vidas, que chegará pra todos nós, em que prestaremos conta de nossos atos, que cada Irmão possa prestar contas ao Grande Arquiteto do Universo: “Senhor, fiz o que me cabia, cumpri o meu dever, guardei a minha fé”.
Venâncio Gumes Lopes
Médico Pediatra com sub-especialização em Oncologia Pediátrica
Oficial Médico Pediatra da Polícia Militar do Estado de Sergipe
Oncologista Pediátrico do Centro de Oncologia Dr. Osvaldo Leite – Hospital de Urgência de Sergipe
Mestre Maçom – A∴R∴L∴S∴ A Marselhesa N⁰4.238 – GOB/SE
Uma resposta
Como não poderia deixar de ser, um brilhante artigo do nobre Irmão Venâncio Gumes Lopes, ilustrando nossa manhã e semana com um material para meditar maçônicamente, sempre!
Gilberto Costa-Silva