O estudo continuado nos Altos Graus: um chamado ao aperfeiçoamento maçônico

Se perguntarmos a algum Ir:. o que é a Maçonaria, muitos responderão que é uma escola de aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual. Desde os primeiros passos do Aprendiz até os mais elevados graus dos diversos sistemas e ritos, o maçom é constantemente convidado a trilhar uma jornada de autoconhecimento e de busca pela Verdade. Entretanto, essa caminhada não se encerra na conquista dos graus simbólicos. Pelo contrário, é justamente após a formação básica do Mestre Maçom que se abre um vasto horizonte de estudos, reflexões e ensinamentos destinados àqueles que desejam aprofundar sua compreensão dos mistérios, da filosofia e dos valores da Ordem.

Os graus simbólicos oferecem uma base sólida para essa caminhada. Neles aprendemos valores fundamentais, refletimos sobre nossas virtudes e defeitos e somos convidados a enxergar o mundo sob uma nova perspectiva. Entretanto, a experiência maçônica não se encerra quando alcançamos o grau de Mestre. Na verdade, muitos afirmam que é justamente nesse momento que uma nova etapa se inicia. Após adquirir os conhecimentos fundamentais, o Ir:. passa a ter a oportunidade de aprofundar sua compreensão sobre a filosofia, a história e os ensinamentos da Instituição por meio dos Altos Graus.

No Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), essa perspectiva torna-se particularmente evidente. Estruturado em trinta e três graus, o REAA apresenta um percurso iniciático que conduz o irmão por uma ampla diversidade de ensinamentos, histórias e lendas. Os Corpos de Perfeição, Capítulo Rosa-Cruz, Conselhos Kadosch e Consistório formam um conjunto harmonioso de instruções destinadas a desenvolver a razão, a virtude, a justiça e o compromisso com a humanidade. Cada etapa da jornada convida o maçom a revisitar conceitos já conhecidos sob novas perspectivas, demonstrando que o verdadeiro conhecimento não é estático, mas progressivo e permanente.

Como presidente do Corpo de Perfeição, tenho observado com grande satisfação algo que merece ser destacado. Um grande número de irmãos interessados pelos Altos Graus e pelas atividades filosóficas oferecidas em nossa Inspetoria. Vejo irmãos dedicando parte de seu tempo para estudar, participar das instruções, aprofundar conhecimentos e buscar novas oportunidades de crescimento dentro da Ordem. Essa procura crescente pelos altos graus é motivo de alegria e esperança, pois demonstra que a chama do conhecimento continua acesa e que muitos compreendem que a verdadeira jornada maçônica é um caminho de constante aperfeiçoamento.

Esse movimento beneficia não apenas aqueles que participam diretamente dos estudos, mas toda a Maçonaria. Irmãos que se dedicam ao aprendizado tornam-se mais preparados para orientar, ensinar e inspirar. Levam para suas Lojas novas reflexões, novas experiências e uma compreensão mais ampla dos princípios que norteiam nossa Instituição. Dessa forma, o crescimento individual transforma-se em benefício coletivo, fortalecendo os trabalhos e contribuindo para a formação de futuras gerações de maçons.

Vivemos em uma época marcada pela ansiedade nas informações e pela superficialidade de muitas relações humanas. Talvez por isso a Maçonaria tenha hoje um papel ainda mais relevante. Ela nos convida a parar, refletir, estudar e buscar um entendimento mais profundo das coisas. Os Altos Graus representam uma oportunidade valiosa para aqueles que desejam continuar essa caminhada, ampliando seus horizontes e aprofundando seu compromisso com os ideais que juraram defender.

Que cada irmão possa enxergar essa jornada não como uma obrigação ou uma busca por reconhecimento, mas como uma oportunidade de crescimento pessoal e espiritual. O conhecimento adquirido ao longo desse percurso não pertence apenas ao indivíduo; ele se transforma em serviço, exemplo e contribuição para toda a Fraternidade.

Assim, renovemos nosso entusiasmo pelo estudo, pela reflexão e pela participação ativa nos altos graus da Ordem. Que possamos seguir adiante, degrau por degrau, não em busca de distinções pessoais, mas da construção de um homem melhor, de uma sociedade mais justa e da constante aproximação da Luz que orienta todos os nossos trabalhos.

• Professor do Dept. de Odontologia de Lagarto DOL/UFS

• Pós Doutor em Ciências Odontológicas FOB/USP

• M∴I∴ da A∴R∴L∴M∴ Fraternidade Sergipense N⁰ 11 GLMESE

• INSPETOR GERAL DA ORDEM R∴E∴A∴A∴ (GRAU 33)

• PRESIDENTE DO CORPO DE PERFEIÇÃO IGNÁCIO BARBOSA DA PRIMEIRA INSPETORIA LITÚRGICA DO ESTADO DE SERGIPE

Respostas de 11

  1. Verdades Ir:. Carlos Eduardo Palanch Repeke! Nossa caminhada não tem fim, sempre seremos eternos aprendizes na certeza que estaremos sempre aprendendo, mas objetivando apreender os conhecimentos na prática com sabedoria!

    TFA
    Gilberto José Costa-Silva

  2. Parabéns ao Ir Repeke pela publicação e o excelente trabalho que vem exercendo no Presidência Corpo de Perfeição da GIL de Sergipe.

  3. Parabéns TVPM Repeke, grande liderança maçônica e estudioso da Ordem Maçônica. TFA.
    Ir.’.Pratti.’., Fraternidade Sergipense 11 – GLMESE.

  4. O grande segredo da maçonaria não está nos toques, sinais e palavras. O grande segredo está no despertar de como podemos evoluir como pessoas, aperfeiçoando a nossa pedra bruta e gerando valor para a sociedade. Os graus filosóficos permitem eliminarmos as máscaras e vivermos a nossa essência.

  5. Os altos graus do REAA são a finalização da apresentação dos estudos maçônicos. Chegar ao grau 33 é uma obrigação de todo maçom que estuda o REAA. Inclusive, deveria ser uma exigência para ser VM. Independente de potência regular, GOB, Grandes Lojas ou COMAB, o importante é ingressar nos autos graus e poder sempre dizer que é um eterno aprendiz. Parabéns pelo texto meu irmão Repeke.

  6. Parabenizo o GOB SE pela iniciativa de trazer o Ir Repeke, Presidente da Loja de Perfeição, para falar sobre os Graus Filosóficos e a este, pela abordagem didática do tema. Pedindo licença ao articulista, reflito dos Graus Simbólicos e Filosóficos tendo como referência os estudos institucionais. Com todo respeito, metaforicamente, podemos dizer que os Graus Simbólicos correspondem aos ensinos fundamentais – menor e maior (Ap M e Comp M) – e médio (M M). Enquanto os ensinos Filosóficos seriam a Graduação (Perfeição), Especialização (Cap Rosa Cruz), Mestrado (Kadosh) e Doutorado (Consistório). Lembro que a reflexão aqui é metafórica; portanto, não a tomemos ao pé da letra. Pois bem, dito isso, fica o convite e a reflexão para os IIr M M a buscarem ampliar seus conhecimentos sobre a Vida e o desbaste da SUA Pedra Bruta nos Graus Filosóficos, tb ditos Superiores; assim como ocorre no campo da Instrução Institucional. Como foi dito, certa feita: “só sei que nada sei”. Acrescento: “o muito que penso saber é nada diante da vastidão de conhecimentos maçônicos que me aguardam”. TFA.’.

  7. Muito boa a matéria meu irmão gêmeos Repeke , mostra que cada dia fazemos a nossa parte ! TFA
    Irmão Robson Freitas 33º.

  8. Excelente reflexão querido irmão Repeke. A sequência dos estudos com a ida aos graus superiores é uma forma de nos mantermos vigilantes em nossa jornada maçônica. A nossa busca interior não deve parar no mestrado e is graus superiores nos dão as ferramentas para continuarmos no caminho da melhora espiritual e como pessoa.

  9. Gostei do que li, entendo que a felicidade ficará a nosso alcance qdo soubermos quem somos, é isso só conhecerá atravéz da introspecção, como diz Nilson Toledo *nós somos o visível do invisível dentro de nós*

  10. Parabéns Meu Querido Irmão e Amigo Repeke, pela sua objetividade, seu conhecimento e suas orientações aos Queridos Irmãos que Participam da Loja de Perfeição e Inspetoria Litúrgica de Sergipe

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